Observatório de Pedreira, 24 de Julho de 2004



Essa era a Lua crescente rumando para oeste naquela noite de sábado. É a primeira foto apresentável que faço, graças ao astrônomo Paulo Carvalho (dono do observatório), que revelou alguns "truques" para fotos astronômicas feitas com maquinas digitais.

Abaixo, uma sequência de fotos feitas por ele usando a minha Sony CyberShot P72 e o seu Meade de 10 polegadas, protegido por uma cúpula:

Na verdade, o Paulo indicou e mostrou durante a sua "aula" vários objetos interessantes. Como haviam muitas pessoas acompanhando as explicaçôes e revezando o Meade, o que tornava a observação meio complicada, montei o Asimov atrás da cúpula, onde havia boa visão pro norte, oeste e sul. O vento estava forte. Temperatura de uns 14 graus, mas uma sensação térmica de uns 8 graus, imagino...

Essa foi a primeira observação na qual sentí falta da montagem robotizada que estou desenhando. Creio que por dois motivos: observamos objetos do céu profundo, que são de fraco brilho, e o vento, claro.

Finalmente pude entender porque o céu de inverno é considerado o melhor...

Fiquei extremamente surpreso com a quantidade de objetos mais fracos que pudemos observar, mesmo havendo Lua. E isto pôde ser feito tanto com o Meade 10 polegadas quanto com o meu Asimov, que tem pouco mais de 7 polegadas.

Ajudou muito uma ocular de 42mm (creio que era uma plöss da Orion) que o Paulo me emprestou. A maior ocular que tenho tem 35mm e é uma ramsden, muito mais simples. Isso compensou a grande distância focal final do Asimov ( f/d = 15.9 ), resultando imagens fortes, aumento de apenas 68 vezes e um campo de visão de quase 46 minutos de arco.

Lembrei-me de uma dica do Sebastião: oculares de grande distância focal são mais adequadas para Cassegrains.





3 grandes visões



Eta Carinae nebula, constelação da Carina, NGC 3372


créditos e detalhes da foto

Deixei a foto grande porque é grande mesmo. A estrela eta, na constelação da Carina, imediações do polo celeste Sul, e ao redor uma imensa nebulosa...
Veja bem, esta nebulosa tem 120 minutos de arco ! Isso equivale à 4 luas cheias enfileiradas !!! Esta estrela (para a qual curiosamente não ví nenhum nome, apenas a definição em função do brilho aparente) é uma variável especial, um tipo raro de gigante azulada, localizada à 7.500 anos-luz da Terra, cercada de mistérios, e alvo de estudos de diversos pesquisadores brasileiros. Em 1843 seu brilho ultrapassou o de Sírius. A nebulosa é resultado da ionização de gases interestelares, provocado pela presença de diversas gigantes azuis na região. Os links abaixo são sobre eta car, bem interessantes, vale a pena conferir:

www.etacarinae.iag.usp.br/p_index.html
www.cienciaonline.org/2004/janeiro/curiosidade/





Aglomerado globular Ômega Centauri, NGC 5139


créditos e detalhes da foto

Simplesmente o maior e mais brilhante aglomerado globular do firmamento. É maior que a Lua, tendo 36 minutos de arco de diâmetro aparente, e reais 170 anos-luz de diâmetro no espaço, magnitude 3,5, situado à aproximadamente 16.000 anos-luz da Terra. Compõe-se de aproximadamente 130.000 estrelas.

Dentro do nosso pequeno grupo de curiosos, o Túlio foi o primeiro a notar uma mancha acima do Cruzeiro do Sul, algumas semanas antes. Tentei achar alguma referência no astronomydaily.com, mas não havia nenhum objeto nessa região do céu no mapa deles... Talvez porque ele não faça parte do catálogo Messier, mas sim do NGC/IC (www.ngcic.org)





Nebulosa de Lyra, ou Nebulosa do Anel, M 57, NGC 6720


créditos e detalhes da foto

Para mim, essa foi a mais especial da noite. Sempre via fotos e ficava me perguntando se seria possível observar diretamente... Pois foi possível observá-la nitidamente com meu instrumento! Diria que essa foi a prova de fogo do Asimov, pois é um objeto pequeno, tem apenas 1 minuto de arco, e pouco brilhante, magnitude 9. Dista da Terra cerca de 2.000 anos-luz, tem diâmetro real aproximado de 1 ano-luz.

Essa nebulosa é resultado da explosão de uma estrela supernova, ocorrida à estimados 5.000 anos. Eta Carinae provavelmente vai ter um fim parecido, só que muito maior, porque tem tamanho para uma hypernova...





Amigos do CASP

Uma coisa bacana foi conhecer o Luis e o Marcio, que levaram um baita Newtoniano/Dobsoniano de 310mm. O Luis ainda deu a dica do CASP (www.casp.tk), que achei muito legal.



E assim deixamos o observatório. Até uma próxima visita.



Pra casa levamos observações e conhecimento, o único tesouro que ninguém pode nos tirar. E nosso dever é humildemente compartilhar com todos aqueles que o desejarem.

A ironia paradoxal do conhecimento. Quanto mais se tem, mais se dá.



Marco Alexandre Garcia, 26 de julho de 2004.